Quarta-feira, 11 de Maio de 2011

Saudade


Nasce de repente sem sequer nos apercebermos…
Quando nos damos conta, estamos tomados por ela…
Por mais que façamos força, não conseguimos nos livrar…
Saudade é uma palavra que só existe no nosso dicionário…
E sinceramente acho que não deveria existir…
Talvez assim não sentíssemos tantas saudades…
Talvez sentíssemos falta de alguém e só…
Mas sinceramente sentir falta não exprime o que sinto…
Meu coração está triste e deprimido…
Sentindo-se completamente abandonado…
Como se estivesse morrendo…
É isso, devo estar “morrendo de saudades”…
Procurei saber o que é saudade…
Será que não é o que sinto?...
Para espanhóis e latinos, sentir saudade é “estranhar”…
A priori parecem palavras dissonantes, até mesmo contraditórias…
Uma saudade pode ser doída, devastadora, mas sempre há “um quê” de beleza…
Uma nostalgia deliciosa por mais sofrida que possa ser…
Por este ângulo, nada teria em comum com a qualidade do estranho, que soa mais pesado e sombrio…
Defino estranho como aquilo que é fora do comum, anormal, alheio…
Já a saudade seria uma lembrança de alguém ou algo distante…
O estranho estaria, portanto fora e a saudade já seria por nós conhecida em sua faceta interna…
Será que não estranhamos justamente essa sensação?...
Uma sensação crua e dura da falta, do vazio que nomeamos de saudade?...
Estranhamos mesmo é estar sem alguém ou algo que nos foi especial…
É estranho também nos depararmos com sensações e emoções inesperadas…
Sensações que nos causam estranheza…
É… a saudade é realmente estranha…
Consegue ser boa e ruim ao mesmo tempo… Dádiva ou carga?
E tantas são as saudades que tenho de ti…
Quando me deito deitas-te comigo e desejo-te boa noite…
Mas adormeço sozinho…
Quando acordo de manhã, abro os olhos e por momentos estás ali ao meu lado…
Mas levanto-me sozinho…
Vou tomar banho, entras na banheira e fazes amor comigo…
Mas toco-me sozinho…
Durante os meus dias, muitas coisas me fazem recordar os nossos momentos…
E penso em ti, em cada momento…
Estou aqui para matar a saudade…
Só não sei se consigo preencher o vazio estranho que ela te deixa…
Porque aquilo que sentimos é bem diferente…
Saudade não se explica, não se descreve...
É puro sentir, com ou sem razão, objecto definido, paixão ou medo…
A estranha saudade é vivida como algo perigoso e, como afirmam poetas, pode até matar…
Talvez o estranho seja eu querer matar esta saudade…
Antes que ela me mate!
Matar a saudade é preencher o vazio estranho que ela deixa!...